Sinto muito mas não me esperem

28.10.08

Todos os sentidos

Distinguiu-a, ao longe, de costas. Aproximou-se e viu-a descalça, sentada na relva, enquanto fundia a temperatura do seu corpo com a da água do lago.
Era uma paisagem linda e a sensação era avassaladora.
Respirou o verde e com ele chegou o cheiro dela. A sua pele adivinhava fruta e orvalho… Fechou os olhos por alguns segundos, inspirou com mais força. E aproximou-se um pouco mais. Tentou não fazer barulho, mas a erva que estalava a cada passo denunciou-o.
Ouvindo-o a pouco mais de um metro de distância, rodou o pescoço e olhou-o nos olhos. Convidou-o a sentar-se.
Sentou-se e o cheiro era mais intenso, era ensurdecedor! E sorriu. Naquele instante deixou a vida para trás, voltou a fechar os olhos e memorizou aquele momento.
Respirou.

2 comentários:

Joana Machado disse...

"O modo de praticar as obsessões é o seguinte: fazê-las alcançar a unidade de uma obcessão mestra, constituí-las em mito básico. Porque é necessário considerar o mito como uma forma concreta e orgânica, uma forma de vida, nunca uma formulação mental ou ideológica. O mito corresponde a experiências íntimas e simultaneamente objectivas. O poder de tornar as obsessões, que são experiências enérgicas do mundo exterior e interior, em formas tendentes a dispor-se numa forma fundamental, isso é o acto por excelência poético. Dele deriva uma imagem pessoal do mundo, uma imagem radical, intuitiva, uma Weltanschauung, com a ordem interna de uma cosmogonia." Herberto Helder

Anónimo disse...

As tuas costas são inconfundíveis.

G.CF

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